segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Mestre-de-Cerimônias: Uma figura que faz a diferença!

Patrícia Porto Medrado Goulart*
patriciapgoulart@ig.com.br

Quem já não participou de algum evento grande ou pequeno, simples ou glamouroso, formal, informal, público ou privado onde ao iniciar tal cerimônia viu diante de si uma pessoa - homem ou mulher, colocando em prática etiquetas específicas, boas maneiras que nessas ocasiões pode-se melhor denominar de protocolos? Quem é essa pessoa que domina exigente postura sem ao mesmo tempo deixar de ser natural em cada sentença e pausa? Que dá vida à exclamação, ênfase a interrogação, sentido a negação e continuidade a afirmação?

Senhoras e Senhores... Eis, o (a) Mestre-de-Cerimônias! Sua origem remonta aos tempos remotos. De acordo com Fleury (2002), rituais, cerimônias faziam parte da rotina do homem primitivo. Nobres à frente, súditos atrás, assessores ao lado, o anunciador dessas solenidades estava sempre em destaque. Era o início da figura do Mestre-de-Cerimônias.

Encontramos sua presença entre os gregos, três mil anos a.C., anunciando as fases das reuniões que aconteciam nos anfiteatros. Mil anos a.C., a China e o Japão utilizavam o Mestre-de-Cerimônias, para a narração dos torneios de arco e flecha. Já nessa época, ele utilizava a força e ritmo da voz para destacar as equipes mais importantes, embasado num conceito de poder e nobreza.

Na Roma antiga, ele surge na figura do chefe dos trombeteiros que, sobre seu cavalo, após o toque das trombetas, anunciava a passagem do Imperador ou as medidas reais como aumento de taxas, maior submissão, proibições e sanções.

Em nossa era, ele aparece na figura do arauto. Vestido de acordo com os costumes da época anunciava a entrada dos convidados em festas da nobreza batendo três vezes um bastão sobre um batente, produzindo um som alto e seco.

Assim, foi se firmando a figura do Mestre de Cerimônias. Sempre em posição de destaque, iniciando e conduzindo as fases de uma solenidade, hoje diríamos que é uma das pessoas mais importantes para a implantação de um evento, pois a partir de sua presença "as coisas começam a acontecer".

Quem deve ser o Mestre-de-Cerimônias? Quais características precisa ter?

Precisa de conhecimento, treinamento e aperfeiçoamento de sua função; necessita saber o que faz, como sair de imprevistos, como se dirigir e conquistar a platéia, sem aparecer, porque mesmo conduzindo o acontecimento, existem os anfitriões, os convidados especiais, os conferencistas e a platéia. São esses os donos do evento.

Vaidade, prepotência e arrogância não fazem parte da função do Mestre-de- Cerimônias. Também humildade excessiva, timidez, medo do público e pânico não combinam com ele.

Diz o estudo da oratória, Gomes (2006), que para o bom orador "não adianta apenas falar com elegância, é preciso persuadir e convencer". E conta ainda que, "a diferença entre os dois maiores oradores que o mundo conheceu, Demóstenes e Cícero (Roma, ano 106 a.C.); quando Cícero discursava o povo exclamava: 'Que maravilha', e quando Demóstenes falava, o povo seguia em marcha.

É isso que o bom Mestre-de-Cerimônias precisa ter: determinação e entusiasmo, que convençam a platéia que está apresentando aquilo que corresponde às suas expectativas, complementado por clareza e objetividade, utilizando acima de tudo, aquilo que temos de mais forte: o dom da palavra.

Referências:                                                                                                    
MEIRELLES, Gilda Fleury. Protocolo e Cerimonial: normas, ritos e pompa. ed. São Paulo: STS Editora e IBRADEP, 2002.
 OMES, Sara. Luz, Câmera, Ação: Senhoras e Senhores, O Mestre-de-Cerimônias. 1. ed. – Brasília: Ed. do Autor, 2006.

* Patrícia Goulart é encarregada do Serviço de Atendimento ao Cliente – SAC/Ouvidoria – Hospital São Rafael – Salvador/BA.

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